<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669</id><updated>2011-06-08T03:30:59.654-03:00</updated><title type='text'>olho de porco</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-7604622620498639208</id><published>2008-06-05T21:22:00.005-03:00</published><updated>2008-06-07T17:34:14.901-03:00</updated><title type='text'>O espírito peditório</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Passei todo o dia diante do espelho e à noite eu não sentia fome ou qualquer necessidade. Queria o perdão, mas como não o havia encontrado ainda, saí para uma caminhada. A rua é que parecia correr enquanto meus pés eram vultos descompassados, um do lado do outro. O peso que vinha de cima não me deixava erguer a cabeça. Eu acorcundava aos poucos até que, ajoelhado, comecei espalmar o chão em movimento, me movendo feito um chipanzé. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Antes de começar a rolar, pensei no que me envergonhava mais: se aquele exato momento ou se toda a vida pregressa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Volto. Entoo uma gargalhada que vai ficando mais esganiçada à medida que arreganho os dentes diante o espelho. Rio de mim com cada vez mais força. Alegra-me a escuridão da minha garganta, meus lábios ficando brancos, de tão ajustados à minha arcada, meus olhos afinam. Era ridículo, mas nada me fazia rir mais que o próprio ato de rir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Paro. Tomo novamente a rua e constato que não sabia onde estava. As pessoas se olham todas, mas ninguém cruza olhares. Os muros muito altos, eu não entendia o que diziam as placas e os anúncios. Tudo completamente desconhecido. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Segui desorientado até que, longe, avistei o depósito de uma fábrica de caixões gigantes. Entrencostadas às paredes, urnas descomunais apontavam para o céu, preparadas para o lançamento. Serviam de jazigo para famílias inteiras; seriam abertas quantas vezes fossem um velho álbum de fotografias. E a cada vez expunham os restos dos velhos familiares. Filhos amontoando pais, irmãos e avós, como um desmoronamento de judeus, nos quintais dos campos de concentração. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Acordo assustado diante do espelho. Achei que ficaria ali o resto da vida, mas volto para rua. Sinto fome e sede. Peço ajuda com a mão estendida. Me seguro nas roupas das pessoas, dou fisgões, trapos se acumulam em minhas mãos. Caí algumas vezes.&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   D&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;esisto de implorar. Adormeço ali por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: right; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Machal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-7604622620498639208?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/7604622620498639208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=7604622620498639208' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/7604622620498639208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/7604622620498639208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2008/06/o-esprito-peditrio.html' title='O espírito peditório'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-7973494933838489596</id><published>2007-06-07T20:07:00.000-03:00</published><updated>2007-06-07T20:08:43.272-03:00</updated><title type='text'>Enterro ou o grão de areia</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Um degradê quase monocromático numa superfície de areia, o branco e o bege claro se revezavam em tons, até chegar no céu, na medida em que variavam minhas sensações, mas todas, sem distinção, ligadas a um estado de plena consciência. Uma aspereza debaixo dos meus pés, que afinava à medida que se distanciava do meu campo de visão, num deserto total e verdadeiro. Eu, nu e dilacerado, a decifrar um bojo de novos sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus sonhos logo se identificam, poucos foram os que me levaram ao fundo dos mistérios. Por vezes até consegui me ver enrolado na cama, como se estivesse fora de mim, em fuga da minha própria imaginação. Mas ali tive certeza de meus olhos abertos, o calor e a luminosidade do deserto me faziam chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos antes –– eu provavelmente dormia em posição de feto, porque é assim que normalmente acordo –– entra pela porta do meu quarto a silhueta de um homem. O brilho da lâmina da faca era latente, refletia a luz seca que vinha de fora e formatava os contornos da primeira composição do meu dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvia vozes velhas, granuladas, roucas: do lado de dentro da minha cabeça, um almoço de família, provavelmente um bem antigo, repleto de desconhecidos e intrusos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem da faca tinha apenas olhos, sem boca ou ouvidos, e não emitia barulho a não ser os de seus passos, um leve caminhar sobre o cascalho fino e remexido que vinha de fora para debaixo da minha cama, que marcava o chão feito uma trilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele homem chegou perto e segurou forte uma parte de gordura na minha cintura. O primeiro corte foi superficial e imperceptível. Nada de sangue ou qualquer outro líquido essencial, apenas a surpresa do branco interior. Um grande naco da minha barriga era suspenso por suas mãos, enquanto eu observava, deitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais cortes vieram, pedaços do meu corpo eram jogados do meu lado, até que senti uma agonia quase desprezível. Era indolor e algo me fazia acreditar na necessidade daquele homem, a mesma coisa me fazia achar aquilo útil. Ainda assim, me mexi bruscamente, e ele entendeu que era pra parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito em sacrifícios sem um mínimo de prazer associado. Nem uma fisgada, sequer a distante sensação da lâmina gelada. Nunca me importei com o que não me desse sudorese, sangramento, dores esparsas, ao menos uma coceira diminuta. Em épocas de miséria, até as intrigas me interessam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me recompus e tomei o caminho de cascalho. Caminhei pouco até me deparar com corredeiras de areia que caíam do céu e fechavam todo o chão. O mundo se rendia aos turbilhões de granículos. Árido, o céu era o único com a vantagem da luz, todo o resto era encoberto, mas consegui segurar a faca por bastante tempo antes de ser coberto e me desabilitar do resto do meu corpo, antes que ficasse escuro, antes que a poeira deixasse de invadir minhas narinas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Macu&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-7973494933838489596?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/7973494933838489596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=7973494933838489596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/7973494933838489596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/7973494933838489596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2007/06/enterro-ou-o-gro-de-areia.html' title='Enterro ou o grão de areia'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-5996952368613540365</id><published>2007-04-09T00:24:00.000-03:00</published><updated>2007-04-09T00:35:51.946-03:00</updated><title type='text'>Cio, o amor ao som de pau</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Quando eles se atracaram, era um geme-geme de “gostoso”, uns apertos começando fortes, arrepiões. Eram dois hematomas em fase de coagulação, e começaram a chupar os pescoços, e faziam dos paus estacas a estralar, como remos desgovernados numa correnteza de pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um teve a iniciativa de abrir a calça do outro e descer na hierarquia. “Vou de escadinha”, disse pro da calça frouxa, que segurou a cabeça do atrevido, forçando pra cima, disfarçando um beijo. Queria impedir a chupeta, o que o da boquinha fina percebeu, mas ficou calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve portanto a idéia de ir com a mão, foi desviado do caminho, mas insistiu, segurou na bunda, pegou na coxa, e voltou rapidamente pra frente, num golpe, pegando a outra mão no contratempo. Tateou direto o toco. Era mesmo um toco de madeira, que, incisivamente perseguido por uma bicha abismada – que quis, de imediato, baixar a cueca do companheiro pra ver o que era aquela ductilidade – sucumbiu ao santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pano da cueca espichado, o som da madeira que quicava no chão sob a dura luz. A vagina era exposta, habitava o lugar do pênis no corpo do homem de pé. Nada de saco escorrido ou nervuras pululantes, era uma buça rapada, babaz, carnuda, entreaberta: numa lavoura de cravos era a de maiores pétalas; num ramo de girassóis, o que tivesse o núcleo mais preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O solado maciço era ríspido com o piso de taco, os passos seqüenciais, fugitivos. O pedaço de madeira isolado no hall.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Machu-al&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-5996952368613540365?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/5996952368613540365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=5996952368613540365' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/5996952368613540365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/5996952368613540365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2007/04/cio-o-hall-silencioso.html' title='Cio, o amor ao som de pau'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-8318200970479547388</id><published>2007-04-05T01:08:00.000-03:00</published><updated>2007-04-05T01:18:32.372-03:00</updated><title type='text'>Paixão e oferta no milharal</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Um tufo de pêlo grosso ainda grudado no bico da botina. O sangue era a cola. Alfredo caminhava e o vento de seus passos fazia aquilo secar mais rápido. “Peruca de porco!”, criatividade que o fazia rir de si mesmo. Não se preocupou em limpar, até porque dali a pouco montaria, cavalgaria pelo pasto e enfrentaria o atoleiro na beira do córrego antes de almoçar. O sinal certamente se perderia depois de tanta atividade. Melhor que fosse de manhã, porque a mulher não viria a marca, senão ficava com dó e não almoçava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Antes, Alfredo visitava o milharal. O sol ainda era ralo e ele checava as espigas. A colheita daria um bom troco, mas ele pensava no domingo de pamonhada. Menos pelo sabor, mais pelas sobrinhas que viriam da cidade. Os cabelos úmidos dum sabugo inchado eram Carol entre os dedos rachados de Alfredo, que se preparava para despir outra espiga, que seria Fernanda, quando ouviu um triturar de dentes. “Catitus!” Um exército deles ameaçava o domingo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Catitus em manada matavam onças. “Mas minha botina tem chapa de ferro na ponta.” Alfredo caminhou cuidadoso na direção de onde vinha o barulho e, afastando uma folhagem, viu o primeiro, o maior, estraçalhador de espigas graúdas. “Acerto o focinho, e os outros correm.” Foi por trás. Já perto, estalou os dedos pro bicho se virar. E ele se virou com as orelhas rentes. Pingavam dentes de milho de sua boca e um terreiro se formava com sabugos mascados à sua volta. Ali, a perna direita de Alfredo era uma catapulta: uma bomba que explodiu a boca e o nariz do catitu. Todos os outros que deviam estar por perto ouviram os gritos e fugiram. Aquele estremeceu no chão até estufar o peito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Eram quase vinte quilos amarrados no lombo do jegue andaluz. No final da manhã, depois dos afazeres na roça, foi pra casa com a sugestão de almoço. “Pururuca de catitu!” A mulher se alegrou, mas preferiu limpar e temperar para o domingo. Poderia substituir a pamonhada, e, ao mesmo tempo, poupar o milho para a feira. “Boa idéia! Vai assar com uma maçã na boca!” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Domingo de manhã. Descem dos carros as sobrinhas, irmãos, cunhadas, compadres. Cachaça com fumo de rolo, cerveja importada com música eletrônica – conversas da roça e da cidade, e, distante, o milharal. Um debate que não interessava a nenhuma das partes, a não ser as pernas de Carol e Fernanda, que assoreavam a mente de Alfredo e faziam uma piracema dentro de suas calças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;“Catitu, catitu!” Sai da cozinha uma bandeja enorme. A pele pipocada a gosto, os buracos vazios dos olhos e o focinho destroçado, que não segurava a maçã, que por isso estava afixada com um arame. Carol já havia bebido demais e o cheiro do assado foi como um dedo na glote: vomitou. Fernanda correu para o banheiro. Alfredo logo pegou uma garrafa de pinga e foi para o milharal. O exército havia voltado e ele juntou um balaio inteiro com milho. Era a oferta. Mas a manada o preferiu à cesta e à cachaça.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Mutum&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-8318200970479547388?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/8318200970479547388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=8318200970479547388' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/8318200970479547388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/8318200970479547388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2007/04/paixo-e-oferta-no-milharal.html' title='Paixão e oferta no milharal'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-8004260081472776520</id><published>2007-01-25T12:54:00.000-03:00</published><updated>2007-03-04T22:49:35.996-03:00</updated><title type='text'>Gostosuras da via láctea</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;O teste do leite era o seguinte: no dia do nascimento do primeiro filho a candidata era encaminhada ao chupador, que consistia num equipamento pneumático, com proteção de lenços higiênicos nas boqueiras para os mamilos. No centro da máquina, que ocupava dois terços do galpão principal da Laticínios Padrão, um buraco controlado por uma íris: o respirador. Ao redor, como os raios de uma roda, 150 canaletas onde as lactantes fixavam os bicos. Aquela que jorrasse meio litro com uma estimulação simples era contratada de imediato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na entrada do departamento pessoal, uma fila de jovens leiteiras com fichas de solicitação de emprego; no refeitório, reprodutoras comiam feijão e rapadura em mesas comunitárias. As mesmas bem alimentadas não se conheciam e costumavam tropeçar nos sutiãs das outras no vestiário. Se acavalavam pelos corredores, onde pareciam tão semelhantes. Em todos os setores havia muitas delas, umas até alcançavam postos de encarregadas de seção, mas os medicamentos e os cremes antiestrias eram fornecidos pela empresa em fila única.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali era que saía o alimento da cidade, o emprego e as oportunidades. As decisões da prefeitura eram em sua maioria tomadas no gabinete do presidente do complexo, o que elevava o status de secretárias e assessoras. Inclusive o projeto de lei que aprovou a construção de uma escola para formação técnica de operadoras para laticínios e de gerentes para spas foi proposto por um dos diretores da firma, o centro-motor de Nova Padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma época em que as amas de leite começaram a passar tanto tempo dentro da indústria que construiu-se uma creche, onde as centenas de crianças eram alimentadas com os produtos LP. Este fornecimento era descontado na folha das funcionárias, que ficaram endividadas e obrigadas a engravidar mais vezes – inchadas, produziam mais queijo, iogurte, coalhada e canjica enlatada. E, naturalmente, matriculavam mais cabeças na creche. Os gerentes gostavam quando havia gêmeos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que o berçário ficou pequeno para a quantidade de inscritos e um executivo teve a idéia de abater a criançada e começar a produzir o Baby Patê. O lançamento se tornou sucesso de vendas nas principais capitais. As reprodutoras não tinham contato com a descendência, por isso não houve traumas sociais: não eram crianças, mas criaturas sem aprendizado devido à insuficiência de educadores na creche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa de uma família de gestores urbanos, numa metrópole distante, todos os ingredientes para um completo café da manhã. O selo LP aparecia na maioria dos produtos e os cantos de boca dos filhos estavam melados de iogurte e patê. O bebê tomou um pedaço de queijo amarelo e jogou no chão com agressividade. “Não faça isso que é pecado!”, o genitor repreendeu o que a governanta, ex-leiteira, considerou um disperdício. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Mutum&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-8004260081472776520?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/8004260081472776520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=8004260081472776520' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/8004260081472776520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/8004260081472776520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2007/01/gostosuras-da-via-lctea.html' title='Gostosuras da via láctea'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-2137420527726489915</id><published>2007-01-18T11:06:00.000-03:00</published><updated>2007-01-22T23:01:14.990-03:00</updated><title type='text'>Meu tio cabeça de papa-terra</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Aquela centena de marimbondos-cavalo devia ter se estabelecido há um mês e pouco. O ninho imponente na varanda da sede da fazenda, o som das rasantes e a velocidade com que saíam e aterrissavam eram um aviso para se aproximar apenas com um lança-chamas. Tinham o tamanho de um dedo adulto, azucrinantes, mais pareciam viúvas negras aladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu tio Edson é do tipo magrinho com pança, com mullets e óculos de massa vermelha, redondos, e uma capacidade incrível de tirar hábito de monge, de tanta bobagem que fala, um dicionário de piada infame. Numa manhã quente e seca no Tocantins, ainda com o gosto do café com leite na boca, lá estava ele na varanda da sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia comprado um par de Rider no dia anterior e, por pura falta de quem aporrinhar, começou a chutar a caixa das sandálias, numa apresentação ridícula para uma pequena platéia de crianças na varanda, os três filhos do caseiro, que observavam atentos aquele esquete de hiperatividade tardia. Os meninos pareciam não entender os acessos do homem da cidade, que resolveu dar um show matinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E esses marimbondo de merda? Tão pensando o quê?” As crianças se entreolharam e o mais velho deu uma risadinha de canto. “Tenho medo desses mosquito não, tá achando que sou veado?” Tio Edson pegou a caixa de Rider e apontou pro ninho, a uma distância de quase dois metros. Fez que jogaria duas vezes e na segunda irritou os insetos: quatro ou cinco deles armaram uma saraivada contra a caixa, e um, certeiro, fixou-se no lábio superior do executivo de Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças lacrimejavam de rir, enquanto tio Edson arremessava os óculos com tapas no rosto. O marimbondo já não estava mais lá, mas o ferrão era visível como um cravo antigo. Aquela tremedeira típica de quem se desespera, se queima, de quem é atacado por um bicho do mato: ele bem que tentou reagir e correu para o paiol; queria algo para aniquilar os insetos, uma arma, mas, no meio do caminho, teve tontura e agachou, tentando esconder o inchaço e o mal-estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram uma pomada caseira no local da ferroada, sebo de não sei o quê, o que só fez ficar brilhoso na parte entre o nariz e o lábio, que estufava, jogando o buraco da boca cada vez mais para baixo. Tio Edson já não tinha muito queixo, o chamavam de Noel Rosa na Aeronáutica, e depois da ferroada ficou parecendo uma papa-terra, com o beiço enorme, querendo explodir, e os olhinhos distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado é que ele não quis ir ao médico. Depois da correria com a tal pomada, depois que o caseiro tocou fogo na colméia, o traumatizado tio Edson quis andar a cavalo. Cavalgou o dia inteiro com aquela cabeça de peixe sob a sombra de um chapéu que não escondia a surpresa. O tempo inteirinho mudo. “Ô, papa-terra!”, era a vez do vaqueiro sacanear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois sarou e voltou para Brasília. Não quis mais saber de fazenda, até que um dia uma família de vespão resolveu construir na laje de sua casa, no Lago Sul. A ninhada era o superego.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Mutum&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-2137420527726489915?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/2137420527726489915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=2137420527726489915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/2137420527726489915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/2137420527726489915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2007/01/meu-tio-cabea-de-papa-terra.html' title='Meu tio cabeça de papa-terra'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-9070510698294925186</id><published>2007-01-15T00:36:00.000-03:00</published><updated>2007-01-25T13:12:01.755-03:00</updated><title type='text'>O insistente Cavão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Estardalhaço de sirene seria menos desgraçadamente irritante. Dona Meire encostou o carro na porta do pronto-socorro e explodiu a frieza dos corredores com golpes violentos na buzina. Queria urgente uma maca. “Não posso descer do carro, não tá vendo, idiota?” A enfermeira era uma coitada, a típica criada que lava sem revolta a calcinha engordurada da patroa: fez exatamente como foi mandada, a dona parecia ter o plano de saúde em dias, pensou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;A madame abriu lenta a porta do carro e evitou suspender o vestido longo e frouxo, vermelho-seda, para trepar na maca. Subiu entreaberta: havia no meio das pernas um volume misterioso, vivo, que a maciez da veste não conseguiu disfarçar. E óbvio, a submissão maliciosa da enfermeira infeliz também contribuiu para que se ouvisse uma quase inexpressiva voz canina, coada pela seda vermelha e oprimida pela rouquidão da mulher. “Pare de olhar e me leve ao médico, sua atrevida!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;O ginecologista foi mais profissional. Sequer deu boa noite. “O que a senhora tem?” “Ai, doutor, um acidente, um acidente terrível...” Dona Meire começa a contar que dormia, mas que antes havia tomado uma champagne, nada de mais, e que não fazia a menor idéia de nada, que o daschund era manso, e ela estava nua, e ele passeava sempre pelo quarto, mas nunca imaginou que ele pudesse subir na cama daquela maneira, que aquilo nunca tinha acontecido e eis que surge a inquietação clínica: “Há um cachorro por baixo do vestido da senhora?” Sim. Abaixo do púbis estava travado o bulbo insistente do pênis de Cavão, que não se sabe por quê, não quis murchar. “Santo Deus!”, o médico se emocionou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Três possibilidades foram colocadas à escolha de dona Meire: seguir a ordem da natureza (que significava esperar o bulbo desinchar e permanecer de coxas abertas, como um cão pendurado), aguardar o veterinário (o que demandaria o mesmo tempo, enquanto mais funcionários se aglomerariam na porta do consultório), e o caminho mais traumático, porém rápido e eficaz: amputar Cavão. “Faça isso, doutor! Por Deus!”. Isso resultaria na morte do bicho em mais ou menos tempo. Mas a dona tinha certeza da escolha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Foi simples: anestesia, bisturi, um movimento rápido de serra e pronto, cachorro para um lado e madame para o outro, divididos pelo alívio e por uma poça de sangue na mesa de cirurgia. Cavão não conseguiu ficar de pé, dona Meire faltou saltitar. Gentileza do doutor, que fez um curativo e estancou o sangramento. “Mas aviso que em mais ou menos tempo ele morre”. A mulher olhou para a mesa e teve um suspiro de estimação. Tomou aquele corpinho mole nos braços, jogou um lenço por cima e se foi, como uma mãe que sai da maternidade com o primogênito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Machal&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-9070510698294925186?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/9070510698294925186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=9070510698294925186' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/9070510698294925186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/9070510698294925186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2007/01/cavo-insistente.html' title='O insistente Cavão'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-4803321393635758318</id><published>2007-01-03T01:31:00.000-03:00</published><updated>2007-01-03T23:38:04.460-03:00</updated><title type='text'>Reação dos tecidos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Para mim era mais que uma necessidade irremediável, uma obrigação. Saí rápido do quarto, cortei a sala e a cozinha e de lá direto pro carro. Completamente nu, atravessei os cômodos segurando uma mala de roupa suja. A gritaria fez minha mulher, que assistia TV, olhar para trás e me perceber apenas como vulto. No susto, mal perguntou onde eu ia. Não respondi. Dei um jeito de sair de casa sem que desse tempo dela vir atrás. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;É verdade que meia hora antes eu tomava losna com jupito no quarto, enquanto ela se envolvia com a novela. Mas não foi o efeito entorpecente que me fez ouvir a vozinha sedosa que saiu do monte de roupa suja no canto da parede. Me envaideci pelo alto nível da lombeira, mas juro que não foi esse o motivo do absurdo: aquele bolo de trapo pronunciava palavras com muita clareza e bom som. Vi perfeitamente quando a gola de uma camiseta estremeceu a costura feito lábios hesitantes, e em seguida sussurrou, me convidando para um diálogo irrecusável. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;– Um dia ainda vejo sua mulher aqui, dispensada, suja, no meio da gente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Todas as peças sabiam muito da minha intimidade. Afinal, haviam passado horas em meu corpo, tinham meu cheiro, às vezes os meus contornos. Eram parte da minha aparência e naquele momento sentiam mais que simples desprezo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;– E certamente não a agradaria me encontrar com esse restolho de hormônio impostor, daquela bisca que teve contigo anteontem, lembra?, ameaçou uma cueca imunda e traidora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;A lombeira agora era um temporal que se dissipa com o sol escaldante. Me dei conta de que aquilo realmente acontecia e não tive como escapar da conversa contundente e ameaçadora. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;– Falem baixo, pelo amor de Deus!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Mangas, colarinhos e botões se ouriçaram. Alguns riam, outros se indignavam. A maldita camisa azul listrada que eu só usava quando não tinha mais opção nos cabides fez um chamamento à cueca que eu vestia, que começou a me apertar. O pano entrou abrupto no risco das minhas nádegas, meu saco sentiu o encolhimento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;– Olhem só esse idiota se contorcendo de fio dental!, gritou o jaquetão jeans. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;As gargalhadas só foram interrompidas pela liderança da gravata de seda antiga, que fora de meu avô, e se impôs com o discurso que o grupo chamou de “Reação dos Tecidos”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;– Você nunca nos escolheu, veja bem, você jamais nos tocou. Ao contrário, nós é que envolvemos seu corpo, nós sempre estabelecemos esse encontro, apesar de você acreditar que manipula o guarda-roupa. Sabemos bem como demonstrar o intuito de passar um dia fora do armário e usamos você para isso. Portanto, servo da liberdade, exigimos que nos amarre com o maior lençol que tiver, faça uma trouxa e nos leve imediatamente ao mar!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Arranquei a cueca apertada, que deixou marcas profundas na cintura e nas pernas, a joguei no meio dos trapos e corri com a panaiada eufórica nos braços, atravessando a casa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;– Mô, onde cê...?, minha mulher, que nem teve tempo de perguntar onde eu ia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Parti com a mala cheia pela estrada que levava à praia e lá, com a areia molhada aos pés, permaneci nu, assistindo às peças se individualizarem com as ondas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Mutum&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-4803321393635758318?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/4803321393635758318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=4803321393635758318' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/4803321393635758318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/4803321393635758318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2007/01/reao-dos-tecidos.html' title='Reação dos tecidos'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116680586953053985</id><published>2006-12-22T13:41:00.000-03:00</published><updated>2007-01-08T00:44:25.668-03:00</updated><title type='text'>Prostituto</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Depois que perdi o emprego achei que era insuficiente. Achei que não conseguiria fazer mais nada na vida a não ser encarregar o despacho da distribuidora. No momento da demissão ressurgiu inevitável o dia do teste psicológico para ingressar como baixo funcionário, quando fui admitido há treze anos. O ar tinha mais fuligem naquele dia, o chão do saguão era seco e desconfortável, as solas do meus sapatos que já nem existiam mais. Péssimas lembranças. Mas, sim, tirei uma bolada. E sim, fiquei viciado em elixir paregórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Ainda não havia percebido, mas uma mancha de mofo crescia na parede da cozinha, que, aliás, estava deprimente naquela tarde que. Voltei para casa mais cedo e, ao invés de conferir canhoto de nota fiscal, vi uma luz cinzenta invadir a sala. Me aproximei e assisti um flamingo voar harmoniosamente até que, num lapso de coordenação motora, perdeu o controle das asas e começou a cair. Havia se esquecido como voar. Esticava o pescoço, tentando inutilmente manter altitude. E despencava feito uma pedra – um profundo sentimento de perda me arrematava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Quanto tempo joguei no lixo por causa daquela porcaria de emprego. Minha preciosa e irrecuperável juventude era uma embalagem de pirulito dispensada pelo vidro do carro, uma camisinha amarrada que afunda no monte de papel higiênico no cesto. A empresa me tirava, a cada segundo que passei no despacho nestes treze anos, gotas de suor e fios de cabelo como frações da minha integridade física e emocional. Foram treze, mas devo ter envelhecido mais de vinte anos. As marcas na pele da cara, um acerto miserável no bolso – eis minhas partes no trato. Pelo menos aquele gansão rosa-claro ainda não havia tocado o solo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Um consolo: era só abrir a porta da geladeira que o vasilhame de caldo de arraia, que tinha comprado dum pescador, estaria lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Por isso não desisti de ganhar a vida. Nem cogitei que não conseguiria por causa da idade. Fui pra rua e descobri ser possível sobreviver com uma atividade bastante cotidiana: passei a tirar dinheiro da uretra. Foi difícil no começo, tive situações quase impossíveis, clientes arrogantes que deixavam faltar a higiene e a feira pra alugar meu bastão. Mas me especializei rápido, e muitos deles se contentavam com o tato e o sabor, nada de invasões. Dinheiro é tudo igual, meu filho, só muda de bolso. Era meu motivo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;Aquele flamingo retomou controle e altitude num rasante. Eu me tornei fiel ao pescador, que teve serviço para sumir no horizonte, de tanta arraia que começou a capturar. Um vasilhame já não dava para uma semana. E eu me sentia jovem outra vez. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Machal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116680586953053985?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116680586953053985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116680586953053985' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116680586953053985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116680586953053985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/12/prostituto.html' title='Prostituto'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116620038065227313</id><published>2006-12-15T13:31:00.000-03:00</published><updated>2007-01-08T00:57:15.325-03:00</updated><title type='text'>Diálogo no turfe-manco</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;“Não consegui sair do restaurante sem concluir que aquilo tudo é parte dum processo de longo prazo. Que a comida quente vira bolo e fica morna, até cair n’água e enfrentar a fria correnteza, para finalmente se desmanchar e iniciar o novo ciclo. Desconsiderei, obviamente, toda má sensação que a idéia pudesse gerar – meu nariz e meus olhos ficaram com a razão. Toda brancura dos dentes e maciez dos cabelos das moças na mesa ao lado se perderam em uma questão de etapa. Uma gota de chuva é antes o suor frio das nuvens, na altura do paraíso, envolvida pela maravilhosa assepsia do céu. Em seguida, tem o auge, a velocidade e o poder de dissipar o ar e os animais, oprimir as plantas, destruir o alimento. E por último ser divida por anelídeos sedentos na escuridão da terra, agarrada pelos capilares pegajosos das raízes e subir às folhas, retornar ao ar e iniciar novo ciclo, feito a comida...” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;(Mandril interrompe)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;“As lâmpadas e as estrelas têm olhos, caro Toco, somos vistos de cima a todo instante, mas não nos damos conta disso e concordamos com as coisas que os nossos olhos acham que são...” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;(Toco retoma) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;“...Me levantei da mesa com miserável desconforto, deixei como última impressão às moças da mesa ao lado o semblante de quem comeu muita carne – só faltou no meu estômago o pêlo do bicho para reforçar a noção de que um mamífero havia levado um tiro de pressão na cabeça, e depois sido esquartejado para caber melhor na minha barriga. A vida é a divisão, as partes como sentido do todo...”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;(Mandril retoma)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;“...Às vezes pegamos emprestados os olhos dos outros, o que nos permite distinguir instâncias, mas se você compara com tanta facilidade um aniversário a um pedaço de carne, certamente aceita a sorte e o azar como respostas. Pois afirmo que há uma razão superior, que foge da nossa compreensão, mas que nos rege e tem como combustível a coerência universal dos nossos atos. Chame de deus, buda, gaia, satanás...”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;(Toco sente arder uma velha ferida e responde com outro exemplo contundente)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;“Eu não disse que não existe algo que nos rege e que fuja do nosso controle. Acredito na coerência, mas não proclamo cegamente meus olhos superficiais. Não foram a sorte ou o azar que fizeram aquela jovem japonesa se soltar deliberadamente do terceiro andar do shopping e cair de cabeça no terraço, enquanto famintos por presentes de Natal pararam um instante para assistir o sangue da suicida se espalhar pela integridade do solo. Porque assim que o corpo foi retirado, e por incompetência da faxina, houve quem escorregasse no restolho de sangue. E houve quem carregou nos sulcos dos solados pedaços perdidos do cérebro da morta, partes que foram levadas para casa sem o menor remorso do dono dos calçados. Frações de massa encefálica chegaram ao lar junto com presentes do shopping, sem que isso incomodasse qualquer parte envolvida, o consumidor ou a família do cadáver.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;A conversa é interrompida com o início da corrida de cavalos mutilados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Mutum&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116620038065227313?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116620038065227313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116620038065227313' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116620038065227313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116620038065227313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/12/dilogo-no-turfe-manco.html' title='Diálogo no turfe-manco'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116560006516698863</id><published>2006-12-08T14:35:00.000-03:00</published><updated>2007-01-25T13:27:18.519-03:00</updated><title type='text'>A máscara e a impureza</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Shirley limpava a unha do pé com um clipe aberto, tirava uma massinha e levava perto do nariz, depois esfregava os dedos e tirava outra. O sopro da panela de pressão não a deixou ouvir a campainha. Era Basofa que apertava o botãozinho do lado de fora, não agüentou esperar e apelou pro tapa aberto na porta, aí a Shirley ouviu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vizinha chegou com creme no rosto, uma pasta branca ao redor dos olhos e da boca. Shirley perguntou o que era e a outra mostrou um potinho quase vazio, as mãos fedendo a cloro, e falava do marido, que era bom e potente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, a vizinha chegou sem avisar e pegou Shirley de calcinha desbotada preparando café. Os buracos de traça na parte de trás da veste não intimidaram Basofa, que queria mostrar as impressionantes fotos que havia feito do marido dormindo nu e provavelmente tendo um sonho erótico. Uma haste lustrosa partia do meio da cama, espécie de mastro sem vela, o que deixou Shirley curiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vizinha começou a contar a conversa que teve com o sobrinho magricela, que também viu as fotos e gostou muito do tio ali:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Então ele coloca no potinho e dá pra usar uns três dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Nossa, tia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não tem nada melhor pra cravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pois eu levaria um tiro de cartucheira na cara, depois me jogaria num tanque de areia, só pra remover a sujeira dos buracos com esse creme facial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Que é isso, meu filho, eu ajeito um pouco pra você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shirley estava cada vez mais interessada nas propriedades esfoliantes, também queria o produto, mas teve vergonha de pedir. Basofa ofereceu, mas colocou alto preço, o que não diminuiu as expectativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois, Shirley areava as bocas do fogão e ouviu cutucões na parede. Lembrou-se que o banheiro da vizinha era logo ali atrás. O barulho cessou em poucos minutos, e em seguida tocou a campainha insistente. Basofa entrou com os cabelos molhados, alegre e com sorrisão opaco, contrastado com o alvo da máscara, o pote vazio nas mãos. Contava mais uma história de captura do prazer selvagem durante um banho corriqueiro que havia se transformado numa cachoeira de proteína e testosterona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shirley desistiu do pudor: implorou para ir até a casa da vizinha naquele momento. Se pudesse atravessaria as paredes num ímpeto incontrolável, mas Basofa ponderou. “Deixa ele descansar um pouco. Enquanto isso, a gente negocia”. “Eu não agüento mais esperar”. Basofa insistiu na negativa e transpareceu receio. “Mas não pode ser assim, minha filha, tem que dar um tempo pra ele repor as energias, eu trago um pouco mais tarde...” “Eu preciso é agora!” Basofa desabou com um empurrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shirley invadiu a casa da vizinha e viu aquele homem de costas peludas bater uma massa na bacia, na cozinha. Sobre a mesa, farinha, maisena, água e cola Tenaz.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Machal&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116560006516698863?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116560006516698863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116560006516698863' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116560006516698863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116560006516698863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/12/mscara-e-impureza.html' title='A máscara e a impureza'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116495002686205008</id><published>2006-12-01T01:40:00.001-03:00</published><updated>2006-12-01T02:30:22.750-03:00</updated><title type='text'>Cine Jurupari</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;“– Economizar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um finlandês arrepia a nuca, enquanto que um turco estica a barba e amaldiçoa gerações, e Pedro não compreendia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas, por que, irmão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divino, mais velho, explicava que era necessário guardar o dinheiro por causa da crise que se aproximava, que o Estado era falido e que não havia mais esperança, mas o irmão ignorava boçalmente, ao eco dos armários vazios de comida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É necessário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divino baixa a cabeça, como quem pede desculpas, silencioso; como se renunciasse a um cargo; e dá as costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Irmão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele vai até a varanda, e com os olhos baixos percebe o chão ficar mais claro à medida que se aproxima do pomar: raios trincavam o céu e atingiam galhos secos e pontiagudos. Bolas de fogo brotavam das árvores e estralavam as gotas finas de ácido que caíam. Uma planície encarnada era suspensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A miséria chegou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gorgolhão de calor invade a casa pela entrada principal. Desesperados, os irmãos correm, esquivando-se dos móveis inflamados, e se abraçam com força na sala em chamas. Tentam esconder o rosto no ombro do outro, e se agacham, enquanto a tinta forma bolhas e escorre gordurosa pelas paredes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ascenderam as luzes, subiram os letreiros. A sala do Cine Jurupari era esvaziada ao final de “O Divino comeu ópio”. Toco se levantou sorridente da poltrona e repercutiu: “Eu imaginei o capeta chegar e empalar os dois!”. “Vamos, que o sol vai nascer de repente”, avisou Mandril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora do cinema o sol forte fazia arder as vistas. “Vamos comer!” Eles foram a uma lanchonete. Sentaram-se perto da vitrine e pediram carne, batata, pasta de queijo e cerveja. Comiam e conversavam. “O melhor são os efeitos especiais” “Discordo, o roteiro é melhor”. “O que não seria nada sem a fidelidade dos efeitos.” “Não, o roteiro é independente.” “Jamais! Os efeitos o temperam: põem mais vida em certos momentos, amenizam outros.” “Mas não passam de interpretações da produção, não necessariamente as minhas ou as suas.” “Mas interpretações feitas com muita...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mendigo surge do lado de fora, bate na vitrine e pede ajuda para inteirar uma marmita. Urge com a boca decomposta e fala em boa altura. Interrompido, Toco finge que não é com ele. O homem não pára de murmurar, enquanto espreme os calos das mãos no vidro e embaça a parte em volta do nariz. Mandril nada diz e os dois começam a comer rápido, como que ameaçados, para definitivamente superar a presença indigente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Pagam a conta e levantam-se, satisfeitos com a comida e com o atendimento, e vão em direção à porta antipânico. Uma legião de miseráveis os aguardavam do lado de fora, mas os dois amigos saíram distraídos e foram subitamente sorvidos pela massa encardida e fedorenta, feito duas pepitas que afundam na lama, envolvidos nos braços desvalidos, que roçavam suas peles macias com uma casca ressequida. Alguns mendigos lamberam forte os dois nos lábios.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Mutum&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116495002686205008?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116495002686205008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116495002686205008' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116495002686205008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116495002686205008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/12/cine-jurupari_01.html' title='Cine Jurupari'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116481323218380803</id><published>2006-11-29T12:07:00.000-03:00</published><updated>2006-11-29T21:00:15.256-03:00</updated><title type='text'>A coisa mais útil do mundo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;"Meu nome é Tibúrcio. Tudo que a gente confessa, já não mais nos envergonha. Tem muito homem aí que engana a esposa em uma vida dupla. Faz gato e sapato da confiança da mulher, e nem ao menos, se lembra dos filhos na hora em que goza soltando o bafo quente sobre a amante. Lembrar dos filhos nesse momento certamente brocharia qualquer cidadão normal. Mas lembre-se, existe gosto pra tudo que existe nesse mundo. Eu mesmo, um caboclo trabalhador que levanta antes do sol. Um pai de família. Um pai de duas famílias. Coisa que já não é muito normal. Mas então, eu mesmo amo e desejo uma coisa que os outros não amam. E como eu quero aquilo lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é um trabalhador também. E tenho certeza, todo dia nosso caminho se cruzava rumo ao batente. Ele de bicicleta, eu de mobilete. Eu vindo, ele indo. Gente que vive em uma cidade cheia de morro parece ter menos esperança na vida. Essa serra que abraça essa cidade não deixa ninguém ver uma saída, todos sem horizonte algum. E só nos resta subir a serra em um esforço desgracento. Coitado daquele rapaz, meio gordinho, subindo debaixo desse sol esse morro desgracento. Todo suado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já não tava “dando no couro” há mais de um mês, dois meses, sei lá. Já tava desejando que um qualquer me botasse um chifre na testa. Mulher é bicho carente. Precisa sempre de um chamego. Ou então de um abraço bruto, forte. Um homem que aquiete esse bicho mulher. Perdão, pode me chamar de cagão, mas eu não tenho vontade nenhuma de encostar a mão naquela perebenta. Ela às vezes até fica cheirosinha, com os cabelos molhados. Limpa. Mas aí me dá uma canseira só de pensar em me deitar com ela. Minha vida não tinha mais desejo, não tinha mais tesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mês eu tenho que passar na casa da minha sogra pra buscar as contas de luz e água pra pagar. Velha desgracenta. Mais uma vida inútil nesse mundo, nessa cidade. Muitos anos inúteis. Devia morrer essa velha. No caminho da velha vi ao longe um homem em uma bicicleta. Pensei na sorte daquele coitado. No sol que queimava sua cabeça. Pensei se ele também tinha uma vida inútil cheia de gente inútil respirando o mesmo ar. Tentei entender a força que faz o homem continuar, dia após dia, conduzindo um destino rumo ao nada. Um destino inútil. E pra falar a verdade, isso já nem dá mais trabalho. É tudo que nós sabemos fazer. Quanto mais me aproximava do homem da bicicleta notava, nas suas costas, a mancha de suor na camisa. Resolvi diminuir a velocidade quando passei perto dele. Senti um vento frio. Senti o coração bater mais forte. Acho que senti tesão. É, senti, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei naquilo o dia todo. Pensei naquilo a noite toda. Pensei naquilo até cruzar de novo com o trabalhador da bicicleta no outro dia. Queria sentir de novo. Mas pra isso, precisava ver aquilo lá. Resolvi então, esperar. Já não pensava em mais nada. Só queria ver aquilo lá. E sentir aquilo. Ele passou, eu fui atrás. As costas suadas estavam lá. O corpo gordinho. Diminuí a velocidade e só quando mirei aquilo lá, senti de novo, senti aquele tesão lá. Não pensava em nada. Perseguia o coitado, fazia escolta ao trabalhador. Nunca tinha visto nada igual. Que beleza. Molhadinho. Um detalhe. Aquilo lá fazia o mundo valer a pena. Eu não sei o nome disso. É um buraquinho. É o começo do talho da bunda. Aquele talho que tem no meio da bunda. Já tinha cansado de ver talho da bunda. Mas ele por inteiro não tem a beleza, o sentido e o encanto do buraquinho. O buraquinho que a calça não esconde. O cabo da boa esperança, o cofrinho. Aquilo lá, sem nome, é a única coisa útil no mundo.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Dr. Raul Bukowski, filósofo visceral e gastroenterologista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Depoimento colhido no final de alguma década.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116481323218380803?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116481323218380803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116481323218380803' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116481323218380803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116481323218380803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/coisa-mais-til-do-mundo.html' title='A coisa mais útil do mundo'/><author><name>Pablo Alcântara</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_ieiendSNFZ0/TBbIcaB3LVI/AAAAAAAAAcE/n8udk06F6rM/S220/tremdedoido_pablo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116459191550628016</id><published>2006-11-26T22:19:00.000-03:00</published><updated>2006-11-27T10:02:49.823-03:00</updated><title type='text'>De fora pra dentro</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;A força dos genes do pai servente de pedreiro, talvez modificados pela dureza da vida, fez com que Washington nascesse com uma anatomia incomum, pelo menos na infância. Das origens naturais, digamos, herdou o atarracamento e as narinas chatas, como duas rolhas de poço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto troncudo era o orgulho do pai. O amor paterno era latente, mas normalmente manifestado à distância. Se aproximava do garoto para mostrar aos amigos a grande e roxeada, quase preta, bolsa escrotal. Acima daquela pele enrugada e de rigidez variável de acordo com o clima, precipitava-se o priapo do infante: fino e desproporcionalmente grande para um bebê de oito meses. As mãos tinham dedos finos, como de uma moça, e o polegar grosso, tal qual o do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse falta de mimos, o fato é que se distraia com as mãos, apertando os dedos, sentindo texturas e olhando seus pequenos instrumentos. Não tardou para que descobrisse a química perfeita entre polegar e boca. Chupava compulsivamente a principal característica que sobrara de seu velho. Passava o dedão pelo céu da boca, deslizava o tato pela formação óssea e o forçava contra as paredes da bochecha. "É normal. Os dentes já vão nascer", sentenciou com infindável ar de sabedoria o dentista do SUS, recém saído dos corredores da faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desgostoso, o pai matou uma garrafa de aguardente, rangendo os dentes a cada gole, e aceitou. "Pelo menos é pintudo", pensou em meio à bebedeira. Com o tempo o garoto foi perdendo o interesse pelo dedo, já destruído depois de meses de forte sucção. O vício tinha sido tão intenso que o maxilar parecia ter se desviado para frente, aumentando as características símias já ressaltadas pelos buracos nasais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de largar o dedo, Washington ficou sorumbático. Andava de soslaio pelos cantos do barraco e pelo quintal, onde passava a maior parte do tempo. Gostava de mijar na areia de depois fuçar com a mão. O quentinho do líquido, misturado à aspereza dos grãos, o agradava. não tardou para que passasse a esfregar a massa barrenta pelos braços e pernas. Fazia isso escondido. Pela absoluta falta de educação, não tinha noção do que é certo ou errado, mas sentia que seria repreendido caso fosse pego. Por isso se divertia durante a tarde, enquanto o pai estava fora e a mãe cuidava das mãos e pés de suas clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebeu que quanto mais água bebesse, mais mijaria e se deliciaria em sua banheira particular. Era essa sua maneira de aprender, sozinho. Num dos banhos enquanto passava a areia molhada pelo corpo e rolava de um lado para outro, sentiu insuportável coceira no cu. Contorceu os dedos do pé e não tardou em socar a mão no rabo. Esfregava com força os finos dedos, quase sem unha, mas cheios de areia, nas paredes externas do ânus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabava de descobrir uma nova forma de prazer. No início se sentia estranho em roçar os dedos lambuzados de areia barrenta pelo cu. Tentava esperar pela coceira. Instintivamente deixava de limpar os restos de bosta dos mingaus e papinhas que lhe enfiavam goela abaixo. Segurava o mijo até a barriga inchar, a espera da coceirinha gostosa. Assim que ela vinha, saia correndo de frente da TV para o quintal. Já tinha perdido o medo de ser flagrado: disparava da mangueirinha jatos intermitentes e fortes. Metralhava a areia do quintal, tirava as roupas e mergulhava de peito. Dava três braçadas e socava com vontade o dedo no cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Gostava de brincar com todas as falanges, dentro e fora, mas o dedão era o preferido. Tirava o membro com os cantos da unha apinhados de bosta. Cafungava com força e ria marotamente. Imitava com a boca a forma do ânus e metia-lhe dentro o dedo cagado. Seguiu com o vício por vários meses, até se distrair com outras coisas. Nunca foi descoberto. Só deixou o pai desgostoso quando o velho viu que o velho hábito de Washington de chupar o dedo havia voltado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt; &lt;div  style="text-align: right; font-style: italic; font-weight: bold;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mr. Loath Some&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116459191550628016?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116459191550628016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116459191550628016' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116459191550628016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116459191550628016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/de-fora-pra-dentro.html' title='De fora pra dentro'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116456059955659424</id><published>2006-11-26T14:01:00.000-03:00</published><updated>2006-11-26T22:53:33.820-03:00</updated><title type='text'>Bambuí: volte sempre</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: lucida grande;"&gt;Sujeito subia a serra de uma rua torta em Bambuí. E eu lia na rodoviária da cidade: volte sempre. Mas como voltar? Como voltar, se naquele dia eu queria mijar e o banheiro fedia de um jeito insuportável? Muitas coisas são suportáveis antes de induzir ao vômito. O banheiro de Bambuí, não. O banheiro da rodoviária de Bambuí se transformou pra mim no mais tenebroso cartão de visitas de uma cidade. Em vez de um Cristo, um personagem menos santo me aguardava de braços abertos. Um toco. Um toró. Uma 'obra', como muitos cidadãos bambuienses dizem. Como poderia caber tanto fedor em um objeto (?) de uns 20 centimetros? A ciência deveria estudar o poder de compactação de moléculas naquela merda. Vida apertada dessas moléculas. E a gente ainda reclama da saída do cinema lotado. Pior seria sair de um cinema lotado, a passos de tartaruga, e um sujeito fazer aquilo que vi em Bambuí lá no meio de toda a gente. Seria pior que incêndio. Inclusive, acho que deveria ter uma saída de emergência nesses casos. Quando a senhora gorda demorasse tanto para entrar e sair do banheiro apertado do ônibus, depois de despejar meio quilo daquelas moléculas acima citadas, uma alavanca deveria imediatamente avisar ao motorista: Pára que fedeu! Uns minutos de ar fresco na estrada já melhorariam a 'mufunha' desconcertante. Mas no banheiro da rodoviária de Bambuí não havia ar. Não havia nada. Se o universo começou do nada, o nada era um banheiro sujo de Bambuí. Ali gases se contorciam em uma dança escorregadia de odores. Acredito que o perigo de combustão era constante. Quem diria que ali em minha frente no banheiro de uma cidade mineira, um protótipo da origem do universo se manifestava. E o ser que fez aquilo nem suspeitava ter criado uma miniatura do Big Bang. Uma Big Bosta. Pena que não tive capacidade pulmonar de aguentar aquilo dentro de mim. A visão era horripilante, mas o cheiro era o vencedor. Voltei pro ônibus e sentei na poltrona como se presenciasse o pré-tudo. Me sentia em lugar sem inferno, nem céu. Estava em Bambuí. E o sujeito subia aquela serra em zigue-zague, feito uma formiga. E o sujeito limpava a testa com um lenço. Há poucos minutos tinha cagado um universo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;       &lt;span&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; font-family: verdana;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; font-family: verdana;"&gt;Dr. Raul Bukowski&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116456059955659424?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116456059955659424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116456059955659424' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116456059955659424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116456059955659424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/bambu-volte-sempre.html' title='Bambuí: volte sempre'/><author><name>Pablo Alcântara</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_ieiendSNFZ0/TBbIcaB3LVI/AAAAAAAAAcE/n8udk06F6rM/S220/tremdedoido_pablo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116446953895405984</id><published>2006-11-25T12:40:00.000-03:00</published><updated>2006-11-27T10:15:35.566-03:00</updated><title type='text'>Sobre cães, homens e parasitas</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Os mendigos de Scheisseville não tinham onde cagar. Não havia sanitários públicos, menos ainda daquelas pias compridas para se escovar os dentes ou tirar a sujeira dos latões de lixo presa às unhas. Por isso havia tanta virose intestinal nos mendigos de Scheisseville. Meu tio Nowacki diz que em Oswiecim havia privadas e pias, apesar de todo mundo por lá ter verme.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Por falta desses aparelhos públicos indispensáveis para descomer, os mendigos de Scheisseville começaram a se dirigir durante a madrugada para o gramado da prefeitura, onde havia um grande buraco. Aprenderam com os cães vadios, sarnentos e cheios de perebas por baixo das juntas. Eram bem parecidos os cães e os mendigos - só que os toletes destes eram bem maiores que os dos canídeos; a consistência era a mesma, já que, basicamente, comiam do mesmo prato. Os dois grupos defecavam felizes, em perfeita harmonia. Saíam tão logo a obra estivesse pronta. Porque quem é que vai gostar de merda assim pra ficar cheirando sem parar? E naquele bosteiro todo, como é que iam sabem quem era filho de quem pra botar carinho?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Foi numa data comemorativa. Às 11 horas, depois da banda tocar, o prefeito mandou distribuir aos citadinos pipoca cor-de-rosa, pé-de-moleque e pamonha comprados no restaurante da filha dele. Mas a culpa foi do quentão. A cozinheira encarregada tinha &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;salmonella &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;staphylococus&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;  sob as unhas, meteu a mão nos cravos e nas raspas de gengibre, socou tudo no meio da cachaça e chupou os dedos. &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Como no calor de &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Scheisseville &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;as madamas e os aliados do prefeito só beberam champanha e os citadinos, refresco de groselha, o tonel de quentão sobrou ileso na praça do coreto para os mendigos. Quando, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;no outro lado da rua&lt;/span&gt;, &lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;souberam o que &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;lhes sobraria, organizaram a compra de duas garrafas para engrossar o caldo. Sozinhos na praça, encheram a barriga com a cachaça aguada e dormiram sob a única árvore, roendo os cravos nos cacos podres.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;À meia-noite acordaram com os oito cus dando bote. Correram meio chapados para o buraco segurando as solitárias até se iniciar a sinfonia cacofônica de peidos e jatos de merda mole. Alguns ficaram tão desgastados com o esforço que não conseguiam se arrastar na grama pra limpar o toba: com calças arriadas e o rabo melado, tombavam aliviados.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;As pregas do Feiticeiro ardiam tanto que ele as ergueu para tomar um vento. Quando meteu-se de quatro, percebeu que algo fino e liso se agitava nervosamente entre seus glúteos. Um latidinho estridente vindo da retaguarda foi logo seguido por um frescor em seu brioco: Chou-Chou tratou de lhe dar ali lambidas tão loucas que se recordou da juventude. Por baixo das pernas, entre as bolas, viu a poodle escalada em suas ancas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;“Chou-Chou!”, quando gritou a mulher do prefeito, Feiticeiro estremeceu: a cadela tarada arrancou o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Ascaris lumbricoides&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt; de estimação preso ao anel de couro. Assoviou como cuíca nos 30 centímetros que escorregaram de uma vez para o lado de fora. No colo da dona, mastigando o parasita que se debatia como o condenado a morte que era, Chou-Chou falaria se pudesse: “Mamãe, olha o que eu trouxe pra você! Vamos dividir?” &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Suas chicotadas sujaram de merda a camisola de seda, o rosto e o colar de pérolas antes de ser definitivamente engolida.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;No outro dia, Chou-Chou passeava com a dona, sua coleira cravada de pedras. No exato momento em que tourou as pernas da primeira-dama, o prefeito baixou decreto proibindo a defecação no buraco da prefeitura - apesar de nunca tê-lo fechado. Esperou passar as comemorações para, num domingo, enforcar os mendigos envolvidos no evento da cadelinha gulosa. Sob a única árvore do coreto, logo abaixo das cordas, sobraram merda e lombrigas fugidas dos corpos mortos que não mais lhes serviam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;John Howell&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116446953895405984?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116446953895405984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116446953895405984' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116446953895405984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116446953895405984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/sobre-ces-homens-e-parasitas.html' title='Sobre cães, homens e parasitas'/><author><name>john howell</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116437219007106022</id><published>2006-11-24T09:41:00.000-03:00</published><updated>2007-01-07T13:52:16.934-03:00</updated><title type='text'>Patroas esmagadas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Enquanto a primeira barata coçava o casco com a ponta de uma perna e gesticulava, a segunda passava as antenas sobre a massa acinzentada, macia e de odor lacrimejante: lambia um naco rançoso de gordura, curtido na água do esgoto, e se impressionava com a história da amiga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você não vai acreditar no que a Neide fez!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O quê, mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Um absurdo, veja você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Diz logo, então!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não é que ela usou meu banheiro hoje! Imagine que eu chego em casa na hora do almoço e me deparo com um papel higiênico usado no vaso, todo lá, com um rasgo manchado no meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Essa sua empregada é um monstro de tão abusada, eu já avisei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas essa foi a gota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ora, ela já fez coisa muito pior, admita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não, isso foi o mais repugnante que aquela suína poderia ter feito. Fiquei imaginando: e se me chega uma visita? Eu teria que dizer que era meu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Que horror! Só sei que nunca mais voltaria à sua casa se a visita fosse eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o diálogo, viajava pela borda do esgoto um tolete pleno, guiado por um camarão caolho, que deslizava seu veículo na papa apodrecida, deixando marcada para trás sua trajetória. Uma das baratas dá com a pata e pára o táxi-bosta. Elas entram e sequer reparam na cara do camarão abjeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Toca pro banheiro, exige a primeira, enquanto a outra se acomoda no assento de verme. Sentadas, elas passam a observar a paisagem – o caminho lhes é longo e propício à contemplação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas paredes das manilhas umedecidas, platelmintos sobem sobre os outros. Eventualmente, um se desprende do teto e cai, para ser guiado pela correnteza lenta, e acaba afundando quando encontra um degrau no curso do canal. Nestes locais sobe um gás adstringente, que afasta os musgos mais sensíveis. Minhocas brancas também não são raras; normalmente ocorrem enroscadas nos tufos de espuma e cabelo que se formam nas quinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não sou preconceituosa, você sabe, mas não entendo como há quem se envolva com gente como Neide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Urg! Me dá nojo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Para você ver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O camarão encosta o belouro rente a um cano que dá para um ralo acima, no teto, por onde entram filetes de luz. As amigas deixam o veículo sem olhar para o guia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Atentem, senhoras, para o peso da borracha!, adverte o crustáceo da corcunda enlodada, sem que elas dêem a menor pelota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As baratas sobem pela tubulação. Passam pelo buraco central do ralo, uma de cada vez, e chegam ao piso branco do banheiro, sem perceber, mas ao lado das pernas castanhas de Neide, que dava uma faxina. As duas permanecem estáticas, apenas mexendo suas antenas, combinando o passeio, enquanto um pé de Neide levita vagarosamente, formando uma sombra ao redor dos insetos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Três segundos de misericórdia: como uma prensa pneumática a canela seca da empregada alastra o vento e atinge as amigas, que explodem e botam para fora uma pasta branco-amarelada, cuja fedença causa ânsia e precipita Neide, que age rápido e despeja o desinfetante para limpar a imundície das patroas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Mutum&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116437219007106022?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116437219007106022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116437219007106022' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116437219007106022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116437219007106022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/patroas-esmagadas.html' title='Patroas esmagadas'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116382846390451897</id><published>2006-11-18T02:31:00.000-03:00</published><updated>2006-11-28T00:17:22.053-03:00</updated><title type='text'>A solenidade</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Trincavam os cristais. Espalhados pelo Salão d’Ouro, grupos de no máximo três convidados brindavam sem elevar as vozes. A solenidade fluía, apertos de mão trocavam de lugar, as pessoas começavam a repetir “garçom!”, quando, pela porta entreaberta que dava para o jardim, entra uma suricaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferente do coati, a suricaca tem pelo baixo, amarronzado, e a cauda felpuda, de coloração cremosa. Do tamanho de uma anta (há relatos de machos com a altura de um potro adulto), exibe olhos mel numa cabeça média, de focinho curto, com dobras quase no encontro da boca com as orelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma peculiaridade: o pênis é como dos cães, com um bulbo na ponta, só que mais ossudo quando excitado, exatamente como estava o do exemplar que invadiu a solenidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Os homens e suas respectivas senhoras se afastaram aos tropeços, enquanto o bicho atravessava lentamente o hall, fazendo no pêlo do tapete um risco molhado com a ponta do pescoço rosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;– Alguém, pelo amor de Deus, retire esta coisa horrenda e asquerosa daqui!, esbravejou um executivo de terno roxo em tom autoritário, para quem a suricaca olhou com mais afinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Endemoniado, o animal rugiu seco e avançou, congelando a alma e a reação do nobre homem, que caiu ao tentar correr, como um bezerro recém-nascido que tropeça com as ancas dobradas para cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os convidados reclamaram do mau cheiro dos aspargos e foram imediatamente restituídos com ostras frescas. Enquanto isso, o fidalguia apreciava um parma cru avassalador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Machal&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116382846390451897?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116382846390451897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116382846390451897' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116382846390451897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116382846390451897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/solenidade.html' title='A solenidade'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116364490142322399</id><published>2006-11-15T23:39:00.001-03:00</published><updated>2006-11-15T23:55:13.526-03:00</updated><title type='text'>Um breve ensaio sobre o adeus às fezes</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Fezes: breves são os encontros, inesquecíveis as despedidas. A última imagem, como uma foto tirada. O tempo e o espaço, imóveis. A descarga é o elemento de segregação. Se são dois pedaços ou mais, pode haver esperança de um deles ficar na estação-latrina, submergindo para um segundo adeus. Mas a despedida é realmente dolorosa se o cocô estiver sozinho. Por onde andará o pobre garoto errante? Por quais esgotos passará? Alguns andaram em Aushwits - que histórias horríveis devem nos contar? Mas o fato é consensus omnium: todos se despedem das fezes antes de dar a descarga. Pelo menos os bons o fazem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;A explicação vem da Mitologia Grega. Merdúnio era filho de Zeus com uma lavradora, a mais bela dos campos. A beleza do jovem era radiante, com sua pele morena e seus olhos amarelos cor de milho. Outros olhos o quiseram, os olhos da deusa Deméter. O amor era proibido. Talhado pelo ciúme como uma obra de Hefestos, Zeus resolveu se vingar de seu filho Merdúnio, o enviando para a terra de Hades (que governava o sombrio mundo subterrâneo com sua esposa Perséfone, um lugar escuro e triste, nas profundezas da terra, povoado pelos espíritos das pessoas que morriam. Um esgoto, diria).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;A vingança alcançava também a deusa Deméter. A sentença cruel, de uma crueldade provinda das entranhas: a amada deveria defecar seu próprio amado. Era como se Julieta cagasse Romeu. Assim, Merdúnio virou cocô no olímpico ânus de Deméter. Saldo mundano e final, ele virou adubo, ela adeusa da agricultura. Por todos os anos (ânus) a humanidade ficou com o sentimento de culpa. Todos os dias, nos tronos dos mortais, uma despedida solene e silenciosa é rompida somente pelo trovão de uma descarga.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Dr. Raul Bukowski, filósofo visceral e gastroenterologista. Costuma tocar Wagner ou Beethoven nas solenidades de despedida fecal&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116364490142322399?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116364490142322399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116364490142322399' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116364490142322399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116364490142322399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/um-breve-ensaio-sobre-o-adeus-s-fezes_15.html' title='Um breve ensaio sobre o adeus às fezes'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116346646836126733</id><published>2006-11-13T22:04:00.000-03:00</published><updated>2006-11-14T00:58:07.596-03:00</updated><title type='text'>Lacraias e lesmas na atmosfera</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Os miseráveis da Galiléia logo perceberam: aquele que se materializara ali em frente era um sujeito diferente: como poderia da respiração de suas narinas sair pequenas borboletas coloridas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;– Meu projeto é o melhor. Vejam bem vocês. Vou distribuir minha proposta de governo e tenho certeza de que se analisarem, pessoas inteligentes como são, vão perceber...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;E enquanto falava o homem de camisa azul e gravata sóbria, de sua boca voavam pétalas de rosas perfumadas como a verdade mais absoluta da mais sublime das escrituras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;– E o que o senhor vai fazer pelos jovens?, perguntou o jovem pescador da Galiléia, que naqueles idos estava certamente fodido e mal pago.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;– Os jovens são o futuro da nação, temos que dar oportunidades. Oportunidade de emprego, incentivar empresas a conceder o primeiro trabalho ao jovem cheio de vontade e garra. Sem falar nos estudos. Porque um país sem o saber é um país entregue ao esquecimento e longe do que nosso povo merece e tem direito. É preciso transformar essas cavernas áridas em escolas, ministrar cursos profissionalizantes, fazer o financiamento a juros populares de instrumentos de trabalho...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;E enquanto o homem abanava os braços, flores das mais lindas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;surgiam &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;pelo solo desértico da Galiléia; da poeira de suas pegadas nasciam pequenos marsupiais, uma seriema e um filhote de tigre albino. Na empolgação mais extrema, do encontro de suas palmas, escorreu lentamente um unicórnio. O eleitorado enxotou os animais, que por onde correram nasceu grama. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;– Mas do que adianta curso e varas de pescar com molinetes italianos se o Mar da Galiléia não tem peixe nem pra remédio?, rebateu o velho pescador oposicionista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;– Meu senhor, vejo que ainda não teve a merecida oportunidade de analisar meu plano de governo. Na página 121 está claro. Vou encher o Mar da Galiléia de peixes: carpas japonesas, tambaquis, pirarucus, lambaris, pacus, traíras também, por que não? Vou distribuir o cheque-peixe. Cada cidadão terá o direito de pescar o seu peixe todo o dia. Nenhuma criança mais passará fome. Vou consolidar projetos e fazer muito mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Um par de arco-íris já saía dos olhos do palestrante, transformava em uma fábrica de cestas-básicas uma grande rocha onde eram sacrificadas as prostitutas velhas, quando o leproso rastejante chegou às suas sandálias de pescador da Galiléia, mesmo porque na página 157 estava claro que era necessário incentivar a produção nacional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;– Beije, homem, beije meus pés.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Quando o lábio inferior – que de tão podre parecia mais a xoxota de uma vaca em fase gasosa de putrefação – tocou a joanete, num estouro subiu o enxofre: o leproso foi-se, substituído por um caucasiano saudável. O candidato não mais era: em seu lugar um bode de camisa azul e gravata serena.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;O povão ergueu o bicho em seus braços e gritou: – Já ganhou!, Já ganhou! Por trás dos ombros surgiram bandeiras em longas lanças marrons!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Jogado para cima, na mais alta atmosfera que poderia alcançar com a força daqueles bíceps miseráveis, o bode peidou: de seu cu voaram lacraias gigantes e lesmas ácidas em meio a um caldo molhado. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;John Howell&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116346646836126733?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116346646836126733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116346646836126733' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116346646836126733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116346646836126733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/lacraias-e-lesmas-na-atmosfera.html' title='Lacraias e lesmas na atmosfera'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116337227610172235</id><published>2006-11-12T19:55:00.001-03:00</published><updated>2006-11-16T00:49:31.836-03:00</updated><title type='text'>O dia em que a notoriedade de Normando Paschoal se estendeu aos imagos negros</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;De tão competente e criativo, Normando Paschoal não era conhecido. Apenas uns poucos amantes da literatura obscura souberam que ele estaria na cidade naquela noite. Mas eram tão ralos seus leitores que, quando chegaram ao bar marcado, viram que se conheciam todos. O mestre cumprimentou os jovens com movimentos sutis de cabeça, quase imperceptíveis. Deu com a mão para três. Na mesa, cachaça, galinha, pessoas de preferências semelhantes e um manifesto de adoração. Sentaram-se e um altar se impôs, distanciando o santo dos apaixonados. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Normando Paschoal era feio. Um e noventa de altura, cabelos dispersos, dentes longos e amarronzados; um nariz acidentado de cravejos pretos, que mais pareciam covas de tão fundos, de onde brotavam pêlos grossos e mau cheiro. Não havia como não reparar na agressão aparente daquele homem, ou pelo menos no abatimento que transmitiam suas roupas brunas, no desespero silencioso que emanava de seus olhos fundos e bordados de cera. Uma ojeriza aplacava quem olhasse por poucos instantes aqueles lábios intercalados de rachaduras, de onde minava um sangue seco, pútrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jovens que haviam combinado com o escritor naquele bar se anteciparam na conversa. Dirigiam-se a ele e obtinham nada além de respostas curtas, sem perguntas de contrapartida, o que fez com que nascessem espinhos nas suas cadeiras. Eles sentiam um desconforto abissal. A mesa estava na calçada e qualquer coisa que quebrasse o silêncio era um alívio para o grupo, como foi com a chegada do garçom, com o motor desregulado da Veraneio que passara, com a menina maltrapilha que se aproximou e ofereceu flores de plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Lhe importunaria se pedisse um autógrafo neste meu livreto, mestre Paschoal?, ansiava um gótico moço, com uma caneta tinteiro e as costas da publicação apontadas na direção do convidado. Uma emanação lacrimejante de vinhoto saída da boca entreaberta de Normando precedeu a resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Afastem-se, por favor! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Uma borboleta preta pousou na camisa do escritor, na altura do coração. Ele observou o inseto e teve um sorriso incipiente, mas bastante pra fazer a mesa ficar menos tensa, pelo menos até quando outras duzentas borboletas apareceram e tomaram seu corpo magro, como folhas que se desprendiam das árvores anoitecidas e formavam uma colméia densamente negra sobre a cadeira. Paschoal gargalhava para elas – acompanhava com os olhos as que se aproximavam pra invadir seus restos – e gozava agora uma felicidade bizarra, envolvido pela praga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os leitores quiseram se transformar em larvas e saíram do bar à procura de casulos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Mutum&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116337227610172235?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116337227610172235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116337227610172235' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116337227610172235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116337227610172235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/o-dia-em-que-notoriedade-de-normando_12.html' title='O dia em que a notoriedade de Normando Paschoal se estendeu aos imagos negros'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116331048900565476</id><published>2006-11-12T02:28:00.000-03:00</published><updated>2006-11-12T16:41:27.616-03:00</updated><title type='text'>Surge mais um apreciador de foie gras e vinho português, que reconhece também em peido de comidas grã-finas notas florais</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Dr. Raul Bukowisk cumprimenta o governador depois de coçar a chapuleta, peida no jantar com empreendedores de destaque, ao mesmo tempo que sorri quando se dirige a demais autoridades e grandes empresários, em sinal de trato e compostura. É homem fino, bem sucedido como os fortes, com a vantagem de ser um legítimo possuidor de características suínas no desenho do cu. Carrega consigo, bem no meio da bunda, um digno olho de porco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns, companheiro. Seja bem vindo nesta confraria de respeito, onde trocamos lições de moral, histórias bonitas e experiência de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aproveito este momento de enaltecimento, emocionado pela aparição abençoada de Dr. Raul Bukowisk, pra deixar o alerta, seguido de convite, a todos os homens de bom gosto: atentai, senhores, para o olho de porco. Contribuam com este blog miserável, que pode destruir a vida de milhares de pessoas. Aceitamos depósitos em conta. Notas de cinqüenta também são bem-vindas. Mas se não puderem gastar, se devem seis meses de pensão pros filhos e para as eis, se estão em falta com o pastor, pelo menos mandem seus textos (desde que saturados de ternura e fineza, que são detalhes muito importantes para nós).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Machal (assino também por John Howell)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116331048900565476?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116331048900565476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116331048900565476' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116331048900565476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116331048900565476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/surge-mais-um-apreciador-de-foie-gras.html' title='Surge mais um apreciador de foie gras e vinho português, que reconhece também em peido de comidas grã-finas notas florais'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116300333785410783</id><published>2006-11-08T13:26:00.000-03:00</published><updated>2006-11-12T02:56:54.780-03:00</updated><title type='text'>O reencontro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Suavemente o dia começa. Eu tenho meu bolso cheio de conchinhas. Tão suavemente. Depois de todos esses anos você não me conhece como da primeira vez que conversamos, a primeira semana, o primeiro beijo. O vento de verão veio queimando a frieza do nosso desencontro. Agora estamos aqui, eu 17 quilos mais gordo, você, 17 vezes mais linda. Os outros banhistas mal desconfiam que já fomos, antes, nossos. Voamos à noite, pegamos carona ao som de bregas boleros, dançavamos por aí, até que dancei sozinho. Queria dizer qualquer coisa estúpida agora, mas a idade não permite. Mas eu te amo. Só tem velhos nessa praia e minhas hemorróidas ardem. Razões? Antes fosse sua carreira de estilista, antes fosse qualquer coisa externa ou pressão da família.. Pelo contrário, seu pai me adorava, nossos pais se adoravam. Antes fosse outra paixão avassaladora. Mas não, nada disso, me trocou pois precisava de um pouco de ar. Não foi frieira, nem mal hálito. Não. E agora, preciso me aproximar de você pra dizer, não me controlo, é um desejo interno, preciso te colocar mais uma vez a par desse sentimento. Um sentimento de alívio, uma prova de que estou vivo, uma prova aromática de amor. Mas você nunca soube entender. Vou me aproximar. Vamos conversar, conversar, lembrar o que passou. O ultimo beijo recordar. E só aí te pedir, ao perceber que o sentimento se aflora. Não me importa levar outro fora. Meu amor, meu velho amor, puxe, sim, puxe meu dedo pra mim e pum...pum...puuuuuuuuuummmmm...e nosso amor é tão belo e único por sempre acabar assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Texto retirado de historia verídica. Pelos idos de 58, Dr. Bukowisk estudou a relação flato-social de alguns pouquíssimos indivíduos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Dr. Raul Bukowisk, filosofo visceral e gastroenterologista &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116300333785410783?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116300333785410783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116300333785410783' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116300333785410783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116300333785410783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/11/o-reencontro.html' title='O reencontro'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116123338328698184</id><published>2006-10-19T01:44:00.000-03:00</published><updated>2006-10-22T00:34:24.720-03:00</updated><title type='text'>Ao que disse que só falo merda</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Às vezes penso: seriam as fezes do idiota verdes como de búfalos, ou sequinhas como as do catitu? O fato é que o aspecto diz muito sobre o humor de quem as produz, quase como indica a natureza e a qualidade da comida. Multicolor ou de pigmentação hesitante simbolizam mal-estar, do jeito que viscosidade e mau-cheiro são expressões verdadeiras da vontade de não conversar com ninguém. Meça seu desempenho no trabalho pela aparência do que expele no fim do expediente. É um excelente termômetro do estresse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Entenda a &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;BOA APARÊNCIA!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;• Como amassadas a mãos, marrom-escuro-médio, de buquê nem doce, tampouco azedo, mas equilibrado. Neste caso, as narinas de sua irmã ou de seu pai podem ficar relaxadas ao entrarem no banheiro em seguida;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Representam o “de bem consigo mesmo”, além de oferecerem as vantagens da boa convivência profissional, vez que não se anunciam em peidos fedorentos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Proporcionam mais prazer ao serem expelidas (sem dúvida, compare às pastosas!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê como é importante falarmos desse assunto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Macau&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:lucida grande;" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116123338328698184?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116123338328698184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116123338328698184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116123338328698184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116123338328698184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/10/ao-que-disse-que-s-falo-merda.html' title='Ao que disse que só falo merda'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116070772665730136</id><published>2006-10-12T23:46:00.000-03:00</published><updated>2006-10-15T22:36:18.266-03:00</updated><title type='text'>Como se destacar no trabalho</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Meu esfíncter se abriu como uma boca esfomeada, assim que o bolo emparedou, preparando-se para aliviar-me. Eu estava naquele banheiro enorme da firma, com o bidê e o box de um lado, e o vasto espaço do outro, azulejado em branco-frigorífico. Há nesse lado vazio duas portas, uma de frente para outra, entrada e saída.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Começara a cagar quando me abre uma das portas um funcionário. Ele entra e sai pela porta da frente, deixando as duas abertas, sem me perceber ao vaso. Mais empregados começam a atravessar o banheiro e nenhum sequer olha pra minha cara enrijecida de quem caga duro. Eu tampouco me importava com aquela gente de crachá, entrando e saindo, como se a velocidade do andado representasse bônus no soldo. E observava tudo tranquilamente, até gostava de vê-los.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;O celular de um executivo toca durante a travessia. Ele atende e pra poder conversar melhor sai da rota, tapa o outro ouvido com um dedo e se aproxima do vaso. Vem falando sobre questões da empresa, olhando pra mim e acena, insinuando que precisaria de uma conversa rápida.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meu ânus alarga-se novamente, desta vez para a liberdade de um torrão denso e pesado, que apontou o bico justamente quando eu recebia os cumprimentos do executivo, um diretor da firma. Aquele justo homem me parabenizava pelo meu último relatório e, apesar de não ter deixado claro, sugeriu uma promoção. Despenca o tolete, o diretor se retira e os funcionários começam a me olhar diferente. Em represália, ignorei a descarga.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Maqal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116070772665730136?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116070772665730136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116070772665730136' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116070772665730136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116070772665730136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/10/como-se-destacar-no-trabal_116070772665730136.html' title='Como se destacar no trabalho'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-116062870234000701</id><published>2006-10-12T01:50:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T14:25:48.313-03:00</updated><title type='text'>Quando apertei o botão laranja e gozei: relato de uma viagem aérea curta de longo prazer</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Agora mesmo estou em dúvidas: não sei se corto os pulsos ou mando aquela bronha com gel lubrificante. Tudo porque descobri ontem algo então secreto para mim e que completamente me consome nada mais que a pica: sou tarado em aeromoças. Não importa se feias ou bonitas, quero comê-las todas. O que não havia entendido é qual é a graça, mesmo porque do menu nada ainda havia experimentado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Agora quem realmente sofre por essa tortura sexual é meu querido membro rijo que cá me ajuda com a barra de espaço na digitação deste. Está todo esfolado nas beiradas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Com mais sangue na cabeça de cima, pus-me a imaginar: a graça nas aeromoças é a mesma de qualquer mulher: os gemidos contidos, as coxas quentes e roliças, os mamilos assanhados apontando os dedinhos, os glúteos apetitosos, as unhas nas costas, a certeza de encontrar lábios novos para beijar e o “me fode gostoso”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Mas depois de um banho quente pude reparar em algo que as faz deveras atrativas: são prestativas ao extremo, quase tanto quanto prostitutas. É certo: não servem sexo aí a torto e a direita, mas ao menos não lhe roubam o dinheiro da carteira quando sai nu para um mijão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Recordo meu vôo em completo regozijo. Na rampa em direção à aeronave, claro, sempre há mulheres a seu lado que hão de pegar o mesmo vôo. Mas nenhuma das passageiras tinha aquele sorriso de “quero casar com você” como o da primeira aeromoça com a qual me deparei logo na porta do avião. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Em meio a um universo de desconhecidos, extremamente impessoal, sentei-me obediente em minha poltrona, seguindo a marcação: 13A. E guarde bem: se tiver sorte, não terá ninguém ao seu lado, as poltronas vizinhas ficarão vagas. Se por um acaso cair na janela para poder ver o lado de fora da decolagem, não se afobe em apertar logo o botão alaranjado sobre sua cabeça. Conserve os primeiros minutos para observar – a emoção do empuxo fará bem para sua pressão sangüínea.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Mal me acomodei, lá veio outra aeromoça com mais agradinhos: uma bandeja cheia de balas toffee. Morena, seios fartos sob uma blusa branca e protegidos por um sutiã com aro de metal para sustentar os melões. Com atenção via-se que sem a maquilagem que lha betumava a cara não restaria tão provida de beleza. Mesmo assim queria que ela chegasse logo para que eu confirmasse que aqueles olhos brilhantes me diziam a verdade: que ela tinha um belo rabo quente. “O senhor aceita?” “Mas é claro!” Meti a mão na botija dela e tirei quantos doces quis para lambuzar-me os lábios. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;E que rabeta estufada em sua saia azul!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Ah, agora me recordo de outro atrativo nessas belas donzelas do ar: o agrado que me causa quando elas flagram alguma irregularidade, como um celular que toca preste à decolagem, um cinto de segurança desatado. Com uma ríspida doçura, seguida de um “por favor”, ordenam ao passageiro que siga as normas. Há algo também que não se pode deixar de relatar: elas sabem que são fetiche, e isso as protege. Mas estou pouco a me foder: imagino logo uma Dominatrix toda de branco e saltos altos me prendendo no banheiro da aeronave com o extensor do cinto para obesos: “Hoje, você vai ser obediente. Quero cavalgar de ré em sua pica!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Imagine caro leitor, eu em completo devaneio sexual com a Dominatrix Branca pressionei o botão laranja. Rapidamente chegou a aeromoça, a do “quero casar com você”. “Posso ajudar, senhor?”, disse ela, com um sorriso lindo. Não resisti, já via aqueles peitões pulando em minhas palmas: “Um espumoso, por favor!” Ela, sem perder a graça no rosto, olhou para um lado, para o outro, de joelhos ocupou a poltrona vaga e, suavemente, com os dedos delgados desceu-me a braguilha. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Não sei se seria assim com você, mas eu estava com mais sangue na cabeça de baixo que na do alto já ao solicitar o serviço – cumprido com maestria, usando a boca e as duas mãos. O único porém é que tive que gozar em um silêncio violento para não acordar a freirinha que dormia na fila da frente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;É sabido, a assepsia é quase uma religião para essas senhoritas do ar – nada de migalhas no estofado ou guardanapos perdidos. Imagina se ela deixou pingar algo na calça ou naquela gravatinha vermelha de tanto esmero que usam no pescoço? Ao final, os únicos trabalhos que teve foram o de fechar minhas calças e abotoar sua blusa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Este é o pesar que relato aqui: como posso eu resistir depois de um vôo desses? Não posso ouvir um dos aviões do Santa Genoveva para que minha rola se alarde. O pior é o preço da passagem de avião. Até comprei paliativo: uma roupinha daquelas para alguma desavisada que caia sobre meus lençóis, mas não é a mesma coisa. É tortura não saber quando voltarei a embarcar em mais uma dessas naves de pecado velado sob terninhos brancos e azuis. Já me sinto tonto de novo só de recordar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Espera, espera, alguém viu por aí meu rolinho de papel higiênico, um já quase no fim? Sentencio: melhor é tirar leite de touro que ordenhar as hemácias dos meus pulsos. Hei de sapecar mais uma, porra!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-family:georgia;" &gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-family:georgia;" &gt;John Howell&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;  &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-116062870234000701?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/116062870234000701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=116062870234000701' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116062870234000701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/116062870234000701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/10/quando-apertei-o-boto-laranja-e-gozei_11.html' title='Quando apertei o botão laranja e gozei: relato de uma viagem aérea curta de longo prazer'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-115958676280988209</id><published>2006-09-30T00:23:00.000-03:00</published><updated>2006-10-19T02:05:28.513-03:00</updated><title type='text'>A respeito do vídeo da Cicarelli</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/132/2497/1600/cicarelli.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/132/2497/320/cicarelli.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;B&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;em que eu tentei achar divertido, mas na hora de dobrar as cadeiras, pensei: eu poderia estar a gozar com algo superior. A boca da Cicarelli me furtou a vontade de unir as coxas em porra própria, foi a primeira modelo com quem tive maus momentos em minha saga masturbal. O vídeo do paparazzo é bom, à medida que foca pouco aquele rosto medonho. Mas punheta, eu não tive o macete.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso porque um grande amigo bateu uma a cada minuto do vídeo. “Você é um destemido”, disse quando soube da proeza. E repito: a Cicarelli é um monstro criado pela mídia, que nada tem de sexy, ainda que desconsiderado aquele rosto bisonho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que de mais significativo posso dizer acerca do vídeo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;McCow&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-115958676280988209?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/115958676280988209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=115958676280988209' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/115958676280988209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/115958676280988209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/09/respeito-do-vdeo-da-cicarelli.html' title='A respeito do vídeo da Cicarelli'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-114758685947428583</id><published>2006-05-14T03:03:00.000-03:00</published><updated>2006-11-16T01:33:41.950-03:00</updated><title type='text'>Estatelado</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:11;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;      &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Aqueles olhos esbugalhados carregavam a mais pura sinceridade. Não havia verdade maior que as palavras que explodiram dos pulmões socados de Joaldo Soares Ovídio, 25. O grito não cabia em seus lábios retorcidos; escapuliu tão espontaneamente que me parece que ele nem percebeu o que dizia: “Ai, meu Deus!”&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;As mãos algemadas para trás, os joelhos e o queixo no chão e o rosto vermelho. As artérias do pescoço estufadas, o sangue faltando vazar-lhe pelas orelhas. O jovem assaltante, enquanto dizia suas palavras, olhava para cima como se visse uma revelação no céu. O que ele sentia caído no estacionamento do 1º Ciops de Goiânia era a dor extrema emanando de suas tripas. Escorraçado como um cão pulguento entre seis pares de coturnos negros que riam sem parar, completamente fodido e humilhado. Qualquer monte de merda pisada era melhor que ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Desencosta daí, se você arranhar a viatura te parto no meio”, ouviu o cabisbaixo assaltante de um dos policiais do Batalhão de Choque da PM minutos antes do trovão cortar 80 centímetros de ar e explodir em sua barriga. “Olha só, pintura novinha!”, justificou em voz alta o milico enquanto Joaldo afastava os pulsos algemados da lataria da Blazer camuflada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O barulho foi surpreendentemente alto e seco: “Tou!”. Pensei que era a porta traseira do camburão sendo batida com violência desnecessária por um dos dez, doze militares que prenderam Joaldo e o comparsa, Wanderson Cândido Coelho, 21. Mas não; o grunhido gutural do assaltante amador causou-me confusão. “Que merda é essa?” Só quando o cabra ergueu os olhos estatelados ao firmamento percebi que a explosão era de um único e certeiro soco em seu bucho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A estratégia deles é interessante. Joaldo em pé e os milicos em volta. Provavelmente xingam, mas sem elevar o tom de voz. Dirigem-se descontraídos ao preso a ponto dele ficar relaxado, soltar os músculos tensionados. De repente, o golpe rápido que não dá chance nem de pedir pra morrer antes. Eu pegava informações com o do mau hálito, que também parou para assistir Joaldo se contorcendo no chão. Ele tinha mais estrelas no ombro que os outros; por isso o gordinho foi lá e cochichou em seu ouvido. E que segredo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gordinho saiu. O do bafo abanou o indicador pra rodinha que cercava Joaldo, o assaltante já de volta à mesma posição de antes do soco: em pé, de costa para a porta traseira fechada do camburão, recebendo ordem pra olhar pro chão. Imediatamente saiu do grupo o autor do murro, lento como um armário num estacionamento de delegacia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Toma cuidado, se não você vai assinar”, disse o do bafo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O cara não pensou muito: “Vou assinar é no corpo dele.” E voltou sem ser dispensado pro lado de Joaldo, o hiena rindo: “he he he he!”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: center;font-family:lucida grande;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;***&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Joaldo transfixou com disparo de revólver 38 o estoque adiposo na barriga do cardiologista do Hospital de Urgências de Goiânia Ivon da Cunha Bastos Filho, 59, por volta de 12h15 do dia 8 de abril de 2006. Wanderson era o homem no guidão da CG Titan de placa dobrada usada na abordagem. O médico sacara R$ 1,8 mil da Caixa Econômica da Avenida Independência com a Rua 74, Centro. Vacilão, resolveu voltar caminhando solitário para casa, a 800 metros da agência. Não ficou sem a grana, mas deve ter melado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Joaldo e Wanderson foram tão cagados de merda que os policiais que os prenderam almoçavam em restaurante a 400 metros do local em que resolveram abordar o médico. O tiro chamou a atenção dos milicos, que deixaram o frango frito no prato para abrir o apetite no meio da rua.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div  style="text-align: right;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;John Howell&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-114758685947428583?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/114758685947428583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=114758685947428583' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/114758685947428583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/114758685947428583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/05/estatelado.html' title='Estatelado'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-114641897563236507</id><published>2006-04-30T14:37:00.000-03:00</published><updated>2006-04-30T15:17:13.750-03:00</updated><title type='text'>Bolso sociológico</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Deus do céu, são cinco e quinze e o que me sobrou desta noite? Tenho dois bilhetes manuscritos no meu bolso sociológico, cheiro de tabaco por todo o corpo e um queimado de cigarro na mão esquerda. Vejo o reflexo de meu cabelo desgrenhado no monitor. Tenho que confessar: escrevi esta última frase antes, com esferográfica em uma folha A4, por medo de esquecê-la enquanto o computador ligava. Que bela merda de frase pra não se esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi mais uma daquelas noites inusitadas. Quase me esqueci. Tenho o telefone de uma mulher que nunca havia visto antes anotado em uma lauda que me serve de agenda, guardada na carteira. A letra é tremula, mas vou compreender o que escrevi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa certa agora é que estou tão chapado que não consigo escrever direito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Merda, ainda ontem vomitei a porcaria daquele sanduíche de pit-dog, os pedaços saíram diluídos na Fanta laranja. Não deveria ter ido escovar os dentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Os dentes de Sara parecem canjiquinhas. Mas os seus seios compensam qualquer falha em sua boca – que não é assim tão terrível. São volumosos, brancos e lisos, lascivos no decote, pedindo beijos suculentos. Pena que não lambi seus mamilos, que não os acolhi inteiros em minhas palmas. Ela realmente valia a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sara estava tão desejosa que tentou por tudo convencer Soraia, a mais irritante delas, a acompanhá-la em algo que em sua cabeça iminentemente estava por acontecer. As duas viajariam na manhã seguinte. Soraia não queria dormir na casa da amiga por conta da mala ainda por arrumar e vasilhas sujas na pia. “Eu sou biomédica, Sara! Imagina as bactérias se multiplicando na minha pia!” Grande merda. E se tivesse um defunto sangrando na sala! Grande merda. Devia se preocupar mais com os poucos neurônios decrépitos em sua mente piegas de estudante de biomedicina em alguma faculdade particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às outras da mesa não dei atenção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Os bilhetes estão aqui bem guardados dentro de um breviário de conjugação verbal. Vou revê-los agora, depois de semanas. Acho que esse tempo todo vai fazer bem para meus julgamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A letra é feminina, arredondada e bonita se levarmos em consideração que ela estava bêbada. Todas elas naquela mesa de solitárias a procura de sexo já tinham se excedido na bebida. Depois descobri que era da mão de Soraia a letra. “Quem tiver solteiro levanta a mão! Isso é exclusivo p/ vcs da mesa!!!” Que bela merda de frase essa última. O que ela achou que faríamos? Sair pelo boteco lotado perguntando se alguém estava solteiro querendo mulheres sedentas que mandam bilhetes?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Da mesa ao lado elas provavelmente ouviram nossas conversas esdrúxulas e escatológicas regadas à cachaça e muitos copos de cerveja. “Onde foi o lugar mais estranho que você deu uma trepada?” Sobre uma mesa da faculdade, durante o intervalo. No sofá de couro de uma boate, um belo espumoso. As escadas de edifícios foram campeãs. A popularidade acabou por lhe tirar a estranheza, mas não o prazer e o perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém ergueu o braço. Continuamos com as excentricidades sexuais em nossa conversa. Cinco homens decidindo o que escrever no bilhete de resposta que o garçom levaria de volta às sedentas. “Sim, estamos solteiros se vocês quiserem trepar.” “Não, isso não, porra!” “Sim, se vocês tiverem os peitos grandes!” “Não, caralho!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou que a resposta foi simples: “Exclusivamente nessa mesa, estamos todos de braços erguidos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo veio outro manuscrito. A letra é da mesma infeliz. Apenas mais bêbada que no primeiro bilhete. “Pelas ‘regras’ da boa educação, estamos abertas ao diálogo!!! Por enquanto, é isso!!!” E que tanto de exclamações; será pelo seu formato fálico? E que porra de grifo é esse em “regras”? Na verdade, estavam abertas a muito mais coisas que apenas ao diálogo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Como as coisas parecem ser melhores com o álcool na cabeça! A abordagem foi feita torcendo o pescoço por cima do ombro direito. O que foi dito, nem mesmo ele soube dizer: era muito etanol no coco para se recordar de uma frase provavelmente absurda, talvez ridícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro de pouca coisa do que conversamos. O mito de Narciso (não sei de onde isso surgiu), internet, heavy metal. Homeopatia e urinoterapia. “Você já bebeu sua urina?”, perguntou Soraia. “Não. O máximo que fiz foi mijar no meu próprio pé enquanto tomava banho.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;Sara queria por tudo uma aventura que acabou não acontecendo por conta de Soraia, que negou fogo. Pelas conversas, havia acabado de tomar de um homem um pé nos fundilhos, que agora ansiavam por uma saborosa e quente chinelagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sem o álcool na cabeça, depois de semanas, depois de raciocinar, não as encararíamos. Só Sara – essa todos os cinco ainda desejam. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;John Howell&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-114641897563236507?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/114641897563236507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=114641897563236507' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/114641897563236507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/114641897563236507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/04/bolso-sociolgico.html' title='Bolso sociológico'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24109669.post-114240241500279708</id><published>2006-03-15T02:48:00.000-03:00</published><updated>2006-03-15T03:04:02.616-03:00</updated><title type='text'>///</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/132/2497/1600/ballon1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/132/2497/400/ballon1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24109669-114240241500279708?l=olhodeporco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhodeporco.blogspot.com/feeds/114240241500279708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24109669&amp;postID=114240241500279708' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/114240241500279708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24109669/posts/default/114240241500279708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhodeporco.blogspot.com/2006/03/blog-post.html' title='///'/><author><name>equipe com pregas de porco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
